segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Atualização

Depois de anos distante, informo as novidades:

Em 2023, prestei três concursos, dois para o estado e um municipal. Passei nos três. O primeiro que me chamou foi o municipal, deixei Guaxupé e comecei a dar aulas de arte em fevereiro de 2024 na minha cidade natal, Passos. Em junho, fui chamado pelo estado, então deixei o cargo municipal em setembro e assumi o cargo de bibliotecário na Superintendência de Ensino de Passos. Em outubro, assumi o cargo de professor de arte do estado.

Ah, nos anos anteriores fiz dois cursos de design, um de animação e um de games. E sigo estudando roteiro e escrevendo.

Blog em 2024 parece algo tão antigo e datado, mas eu sou um pouco antigo e datado (eu leio jornais diários e ainda assino revista, me sinto jurássico).

Até qualquer dia (ou ano...rs)



quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Adeus 2020



Tem uns bons anos que não publico nada por aqui mas precisava deixar um registro desse ano de 2020, um ano tão difícil e que mudou a vida de toda a humanidade por conta do corona vírus.

A covid-19 veio com tudo, contaminou vários, ceifou várias vidas e expos vários problemas da humanidade. Foi uma luta entre a ciência e a desinformação ao lado de brigas políticas que deixaram de lado várias atitudes que poderiam ser tomadas para minimizar o mal desse vírus.

Esperava-se que o homem saísse melhor, mas estamos longe disso. Ainda há muito retrocesso e uma parcela da população que não está nem aí com o próximo e continuam a se aglomerar, fazer festas e não se proteger como deveriam.

Mas a reclusão teve seu lado positivo. Passamos meses em casa e nesse tempo pudemos ter o tempo que sempre reclamamos de não ter. O que foi até assustador porque muitos não estavam preparados para esse tempo todo. Pudemos refletir sobre nossa vida, nossos objetivos, nossa relação com família e amigos, repensar sobre nosso trabalho e carreira e muitos, como eu, voltaram a estudar e a iniciar novos projetos.

Também foi uma luta manter nossa saúde mental, controlar a ansiedade, o medo, a preocupação e a insegurança. Fomos forçados a nos reinventar, a entender um novo normal sendo que nunca nem foi claro para a gente o que era o normal de antes que só ficou mais claro quando não pudemos mais continuar com ele.

Sofremos com governantes que não cumpriram com sua missão de proteger e amparar todos os cidadãos e percebemos que as pessoas não tem noção do papel dos nossos governantes em momentos delicados como esse. Eles devem garantir nossa segurança, bem estar, amparar os que necessitam, cuidar das empresas que ficaram impossibilitadas de funcionar e, principalmente, garantir nossa saúde e lutar para reduzir ao máximo as mortes e incapacitações. Em todos esses aspectos nossos governantes foram capengas e nossa população ficou a mercê de si mesma e de ações paliativas e momentâneas que podem gerar sequelas terríveis no futuro.

Difícil é refletir sobre tudo isso e continuar com fé, esperança e confiança de que 2021 será melhor. Mas devemos ser positivos, atentos sempre sobre o que acontece em nosso entorno, realistas mas fazendo sempre o nosso melhor e mantendo a positividade e o amor em nossos corações.

2021 chegará daqui 4 horas e não haverá uma mudança imediata, mágica, do nada. A mudança deverá ser construída a cada dia, sem parar, sem desistir e perseverando sempre.

Cuide das pessoas especiais de sua vida e cuide muito bem de você, de sua saúde física e emocional. Leia, veja filmes, séries, brinque, cante, dance, faça arte, cozinhe, faça o que te faz feliz, sempre!!

Tudo isso vai passar e logo estarei aqui publicando: passou!

Feliz 2021!!


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Lição de vida



Tem horas que várias áreas da nossa vida estão paralisadas, a gente só vai as administrando e nada parece desempacar.

Aí chega um momento que você resolve encarar apenas uma de frente, pra resolver, por mais doloroso que seja o processo. Cria coragem e enfrenta o problema até uma resolução.

E o que acontece, então?

Então as outras áreas começam a movimentar, o que estava paralisado começa a andar, mesmo que de forma lenta.

Inércia atrai inércia. Movimento atrai movimento.

A vida é engraçada...

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Que puxa...

Ser forte o tempo todo é difícil. Tem horas que o corpo e a alma fraquejam. Lágrimas correm, o desgaste vem mas é preciso continuar forte. Nada é fácil nessa vida e a gente precisa encarar os problemas de cabeça aberta. 
Ontem e hoje bateu uma tristeza em mim. Fantasmas que sempre aparecem. Felizmente, acho que hoje sou mais maduro para enfrentá-los. Permito-me viver a dor mas não me permito permanecer nela ou em negatividade. Foi um longo percurso até conseguir ter esse posicionamento.
Escrever é uma das minhas estratégias para me reconectar, lanço para fora o que sinto e exercito uma das coisas que mais gosto de fazer que é escrever.
Não me critico, cada dia tenho mais certeza que sempre fiz o meu melhor com o que eu conseguiria em cada momento. Me abraço e me dou carinho e segurança pra me erguer novamente porque a luta não acabou.
Sigo amando, com esperança e afeto, na certeza que por mais difícil que seja o caminho, eu estou seguindo o melhor caminho.

terça-feira, 12 de junho de 2018

As vantagens de não namorar




Dia dos namorados de 2018 do ano da graça do Senhor. Sigo #foreveralone, encalhado e sem nunca ter namorado. Relacionamento amoroso continua sendo uma coisa mais complexa do que física quântica (que pra mim é até mais fácil de entender) e gerando mais trapalhadas, confusões, frustrações e perda de tempo do que qualquer coisa positiva que porventura existe nesse campo. Só não desisto de vez porque é algo que faz parte da vida de muita gente, parece ser uma parte importante da existência humana na Terra e ainda quero experimentar o que é isso de fato.
Senti vontade de escrever o que tiro de positivo de estar com quase 35 anos sem ter vivenciado o amor na prática. Por incrível que pareça, há aspectos positivos e vejo que eles acrescentam positivamente na minha evolução pessoal. Vamos lá:

Valorizar o lado ruim dos relacionamentos - quando converso com amigos e pessoas que estão em um relacionamento é muito comum as reclamações sobre as dificuldades que existem na vida a dois. Ciúmes, brigas, implicâncias, problemas... Eu por nunca ter vivenciado essas coisas e por achar que superar barreiras algo importantíssimo de nossa evolução e crescimento, valorizo demais esse lado mais negativo. É como se todos estivessem numa corrida com obstáculos, aprendendo a superar as barreiras, e eu estou sentado apenas olhando porque não é minha hora. Como eu lido com ciúme? Sou muito ciumento? Será que sou muito grudento ou muito crítico? Como é ter uma sogra? Como eu lido com o espaço pessoal? Como reagiria a uma crise? A uma traição? A uma palavra mais áspera?... Eu não faço ideia, intuo pelas minhas outras relações mas cada relação é tão diferente e envolve sentimentos tão díspares que é difícil prever. Relação com pais é diferente da relação com irmãos, com amigos próximos, com colegas, com colegas de trabalho, com vizinhos... cada relação é um universo de sensações e comportamentos. O "Rubens namorado" por não ter nascido ainda não existe e eu tenho muita curiosidade de o conhecer e superar as dificuldades que essa faceta minha porventura terá. Se você vive um relacionamento amoroso e passa por problemas lembre-se de que isso também é importante para você ser quem é e faz muita falta.

Me amar mais - antigamente era o contrário, minha auto-estima vivia lá embaixo e eu me culpava muito. Hoje sou mais bem resolvido e feliz comigo mesmo e passei a me amar mais. Como não há espaço para outra pessoa em minha vida dedico muito mais à minha felicidade, me presenteio, faço planos, cuido melhor de mim, me respeito mais, entre outras coisas. Eu me apaixonei por mim mesmo, pelas minhas qualidade (hoje as percebo melhor), pelos meus defeitos (que não dou tanto peso como dava antes) e por tudo o que sou e me tornei. Já passei por tanta dificuldade, ouvi cada impropério, já fui ofendido, humilhado, desacreditado, invejado, puxaram meu tapete tantas vezes e mesmo assim sempre continuei em frente, de cabeça erguida, resiliente. Nunca precisei de ninguém para ser uma pessoa melhor, sempre tirei de dentro de mim toda a força necessária para passar por tudo que vivi. Eu tenho muito orgulho da pessoa que sou, mesmo sendo estranho, gostando de coisas tão distintas, mesmo não conseguindo fazer muita coisa que gostaria de fazer, mesmo pelos meus erros e defeitos, acho que o resultado é que me tornei um ser humano incrível, que não tem medo de pedir perdão ou de expor suas fragilidade, nem tem medo da opinião alheia ou do que os outros acham. Se eu não fosse eu iria me apaixonar fácil por mim (e não é apenas papo de leonino...rs).

Criatividade - sou escritor e percebo que consigo criar camadas emocionais densas ao criar meus personagens principalmente com relação ao amor. Eles falam de sentimentos e vivenciam coisas que pegam fundo nos sentimentos dos meus leitores, já recebi elogios com relação a isso, mesmo eu não percebendo. Me surpreendo ao ver que uma frase de três palavras que pra mim parece boba tem a capacidade de tocar alguém. Além da escrita isso acontece muito também, de eu falar algo para alguém que mexe e marca muito, mesmo eu achando que não foi nada demais. Minha experiência de não-namoro me fez valorizar demais os meus sentimentos e eu os expresso com muito mais facilidade que as demais pessoas. Não sei explicar direito porque isso ocorre, mas é algo que eu noto há um bom tempo.

Ser amoroso - não namorar me tornou uma pessoa muito amorosa, preocupado com os outros e um bom amigo. A gente pode não namorar mas há amor em nosso coração e a gente precisa fazer algo com esse sentimento e essa vontade de cuidar, se preocupar e amar o outro. Eu divido isso nos meus demais relacionamentos, me preocupo com meus amigos, com a vida deles, sempre penso o que posso fazer para ajudar, sou mais atencioso e carinhoso. O complicado é que as vezes as pessoas confudem achando que eu estou na verdade dando em cima ou paquerando. Seria ótimo se fosse fácil assim pra mim, quando eu gosto de alguém é muito difícil para mim ser espontâneo, eu acabo me criticando muito, ao contrário de quando sou apenas amigo. Ser amigo é um campo mais seguro para mim então sinto mais facilidade e isso me fez criar relações mais duradoras e profundas.

Saber o peso das palavras - aprendi como é importante se colocar no lugar do outro e perceber coisas que ele escuta e que o ferem, mesmo parecendo inofensivas. As pessoas me dizem muito coisas como: "Tudo tem sua hora"; "Não chegou o momento certo"; "Um dia você encontrará alguém especial". Eu já ouvi isso mais de mil vezes e hoje em dia machuca mais do que ajuda, abre espaço para questionamento bestas internos do tipo "se não chegou a hora certa eu vivo a hora errada?". Pior que isso é ser ignorado ou a pessoa não dizer nada, muitos preferem não falar nada com medo de me machucar, sendo que o silêncio machuca muito mais pois abre espaço para pensamentos negativos de que estou muito errado e perdido. É muito mais útil, um abraço, perguntas que façam refletir ou que sejam leves que mude o direcionamento do pensamento, do tipo "Como você se sente?". "O que você tem feito?" "O que almoçou?"... Eu hoje quando deparo com alguém vivendo algo difícil que eu não passei sempre tento fazer esse exercício de me colocar no lugar da pessoa e perceber o que ela ouve muito que não faz bem e o que eu poderia fazer ou agir para aliviar um pouco a dor dela.

Esperança e confiança - eu poderia desencanar de vez e assumir uma vida solitária e feliz comigo mesmo, tocando minha vida e não me preocupar mais com isso. É ótimo ser solteiro, ter liberdade e espaço e eu me basto totalmente. Não preciso de outra pessoa pra ter minhas conquistas pessoais, profissionais e familiares e mesmo se não aparecer ninguém na minha vida eu ainda serei pai, adotarei e terei meu lar. Mas eu acho que a esperança não deve acabar e eu confio que um dia vou conseguir me relacionar com alguém. Enquanto isso não ocorre, vou vivendo da melhor forma possível e oferendo o que tenho de melhor ao mundo da melhor forma possível. Um dia minha pasta "Amor" onde guardo as imagens e coisas que vou utilizar quando estiver namorando terá, enfim, utilidade...rs

E um feliz dia dos namorados para vocês. Ame muito, amar é o melhor sentimento que existe!!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Reflexões de uma sexta-feira 13



Aproveite cada momento, cada instante, cada pessoa que aparece em seu caminho.

É o conselho mais repetido e que tem que ser repetido mesmo porque sempre esquecemos e quando nos damos conta é tarde demais.

A vida é um sopro. Quando somos crianças parece que ela é enorme, a medida que crescemos percebemos a sua real pequenez. 

Mesmo que o seu momento seja difícil, tenha força e fé, mantenha a mente e suas atitudes positivas e ame. Melhor remédio e melhor amigo que temos é o amor, é amar sem esperar nada em troca.

Ser como os animais, tudo é mais simples para eles, pra gente também pode ser. Só ficar atento!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Mês de março

Este mês de março foi muito intenso e produtivo!!

Parece que eu vivi vários meses em um de tantas coisas vividas. E o mês nem acabou ainda.

Uma das coisas que me deixou muito feliz é que consegui dar estrutura a uma história que comecei a elaborar uns 10 anos atrás. Ao longo desse tempo ela ficou guardada, eu estava insatisfeito com os rumos da história, os personagens apresentavam vários problemas.

Hoje a história mudou muito, poucas coisas permaneceram e ela aborda novas temáticas, que condizem com os tempos atuais. Ainda bem que não escrevi antes, gosto muito mais dela hoje.

Agora é sentar e escrever e ver no que dá. Quando a gente escreve de fato muita coisa muda, os personagens ganham vida e muitas vezes a gente se entrega a eles. E isso é maravilhoso!!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Notas

Eu estou passando num período muito bom de desenvolvimento pessoal. Desde o fim do ano tenho avançado bastante na minha terapia e hoje consigo me entender bem melhor. O melhor de tudo é que consegui me perdoar por coisas que me culpava no passado. Hoje compreendo melhor minhas limitações e dificuldades e consigo olhar para o meu passado com mais ternura.

E isso tem me feito um bem enorme, estou me alimentando melhor, eliminando aos poucos excessos, me dedicando mais a coisas que gosto e sendo mais positivo. Mesmo quando fico triste e choro não fico pra baixo, deixo a emoção fluir e limpar o que tem de ruim.

Não me cobro, estou indo devagar, tentando, aprendendo, um passo de cada vez. Escrever aqui novamente é também um reflexo dessa caminhada positiva desse ano.

Ainda bem que estou assim, 2018 começou com dificuldades e durezas difíceis de lidar. Mas prefiro lidar com elas bem comigo mesmo do que mal e pra baixo.

Passarinhos

Ontem bateu uma saudade grande do meu pai.

Nesses 6 anos sem ele tem sido assim, tem dias que as lembranças e a falta dele bate mais forte.

Tanta coisa que queria contar pra ele, pedir ajuda, conselho, um abraço... 

Converso em oração com ele, ainda assim a falta é grande.

E essa semana minha família separou toda. Minha sobrinha foi trabalhar na Bahia, meu sobrinho foi estudar em Barretos, meu cunhado continua trabalhando em São Roque, minha irmã na casa dela em Passos, minha mãe na nossa casa e eu em Guaxupé. Acho que isso me deixou mais emotivo.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Área social de casa

Tem horas que lembro da criatividade do meu pai no trabalho dele, mesmo com pouco estudo ele conseguia encontrar soluções geniais e criativas ao construir uma casa (ele era pedreiro).
Minha casa é um exemplo, ela foi feita em duas etapas. Primeiro ele fez uma casa com sala, dois quartos e cozinha. No fundo, ele construiu uma outra casa com três cômodos pequenos e num deles tinha um fogão de lenha. Ficou pronta quando eu nasci.
Ele e minha mãe não ficaram satisfeitos, queriam mais um quarto na casa para mim pra que eu não precisasse dividir com minha irmã. Em 1990 ele derrubou essa casinha no fundo e ampliou a casa da frente, transformando os antigos três cômodos em um quarto, copa e cozinha. O que achei muito bacana da parte dele é que ele projetou a cozinha e copa como um espaço único, com duas muretinhas baixas dividindo os dois ambientes. Hoje em dia isso é muito comum mas naquela época nem tanto. Ele teve inspiração dos ranchos de famílias ricas que ele e minha mãe trabalharam e de novelas.
Mas além de criar esse ambiente aberto entre copa e cozinha ele construiu na copa um sofá de cimento e encomendou um estofado feito sob medida para ele. A ideia era poder receber visitas ali mesmo na copa e conversar por ali enquanto esperava qualquer refeição sendo feita na cozinha. 
Assim, a gente tinha a mesa da copa com cadeiras, a mesa da cozinha com cadeiras e o sofá da copa. Era possível tomar café e conversar com quem estivesse nos dois ambientes. A cozinha e copa era o espaço sociável da casa e a comida mineira era o carro chefe.
Um dos motivos de deslocar as visitas da sala para a cozinha é que antigamente meus pais tinham uma devoção pela área da sala, ela não podia ser utilizada muito, o sofá tinha que permanecer novo e com pouco uso e ali era só para acolher as visitas e oferecer um café receptivo, depois era hora de os convidar para a copa e cozinha ou para a parte externa da casa.
Com o tempo e com a inserção de uma TV a cores na sala essa aura sagrada da sala foi se perdendo e eu passei a utilizar ela mais que todos os cômodos da casa. Hoje nosso sofá da sala atual tá até rasgado, coitado, estamos esperando uma melhora financeira para o trocar. Também com o tempo minha mãe quebrou o sofá de cimento da copa e colocou outro sofá comum e mais velho no lugar. A copa continua a ser nosso espaço social porém ela hoje é mais apertada porque os dois sofás mais a mesa são maiores e ocupam mais espaço.
Hoje em dia a última coisa que as pessoas pensam ao fazer uma casa é no espaço para visitas. Receber pessoas em casa é um hábito que tem diminuído e muitos consideram até mesmo inconveniente. Eu particularmente gosto e sinto bem em receber amigos e familiares e também de visitar pessoas queridas. As não queridas a gente apela para as mandingas ou pra sinceridade mesmo... 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

"The Evil Within 2" e a Ideologia de Gênero



Em "The evil within 2", jogo de terror lançado semana passada, há pessoas zumbificadas que ficam amontoando corpos em alguns cantos e depois esse monte de corpos vira um monstro horroroso, difícil de matar e que fica nos perseguindo gargalhando e com uma serra circular enorme na mão. Não há analogia melhor ao que vem ocorrendo na atualidade. Um monte de pessoas zumbificadas, que só sabem atacar quem não pensa como elas, juntando coisas mortas que em breve se tornará um grande monstro para nos atacar. A tal ideologia de gênero, por exemplo, é isso, uma coisa que não existia e que pessoas cegas de reflexão crítica começaram a colocar de tudo nela, você não consegue argumentar pois como se argumenta sobre algo que não existe, que cabe as mais variadas coisas dentro e que cada um bota o que quiser nela a qualquer momento? Por fim, vira um espantalho de ideias mortas, com vida própria e que sai correndo atrás da gente de forma ensandecida e mortal. Tudo em nome de Deus, como diria o padre de "The evil within 2"...

Corre, Tião, corre, que a coisa tá cada dia mais feia!

quinta-feira, 16 de março de 2017

A velha estrada da Mumbuca


Trabalho em Guaxupé há quase 7 anos e desde que comecei viajo de Passos pra cá passando por uma estrada de terra de cerca de 17km, conhecida como estrada da Mumbuca e que leva à cidade de Bom Jesus da Penha, cidade natal de meus pais. Inicialmente passava de ônibus, depois de carro, quando comprei o meu.

Desde que me entendo por gente os políticos falam que vão asfaltá-la mas nunca que esse asfalto acontecia de fato e muitas pessoas moram em sítios por onde essa estrada passa e dependem dela para ir à Passos ou outras cidades vizinhas. Imaginem o transtorno quando alguém passava mal e precisava ir até um hospital em época de chuva! O barro que formava era assustador. Eu mesmo já passei muita dificuldade de passar por lá em época de chuva, muitas vezes nem passava, já seguia para outro caminho.

Mas há uns 3 anos o que ninguém mais acreditava começou a acontecer, começaram a asfaltar a estrada. No começo com muitos trabalhadores, começou bem ágil, mas depois interromperam por falta de verba e só em meados de 2016 retomaram, com menos trabalhadores, e agora a obra caminha para seu fim.

É muito legal ter vivido todo esse processo, observado as mudanças e ver a alegria dos moradores da região que agora podem levar uma vida mais tranquila.
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura realmente!

Tenho uma história engraçada para contar dessa estrada. Em 2009, quando eu ainda morava e estudava em São Carlos, eu tinha um caderno de sonhos e anotava todos meus sonhos nele (devo ter falado sobre isso aqui no blog na época). Pois bem, anos depois reencontrei esse caderno e ao reler ele vi um sonho que eu tive onde eu passava de carro pela Mumbuca e parava perto de um bar em frente a igrejinha do lugar. Na época esse sonho não significou muito para mim, primeiro porque há muitos anos não passava por essa estrada (eu viajava muito com meu pai na minha infância passando por ela pra ir visitar nossos parentes em Bom Jesus, a primeira viagem que fiz na vida foi essa) e, em segundo, porque não tinha habilitação. Assim, o curioso é que anos depois aquilo que vivenciei no sonho se tornou comum em minha vida. Tive um reflexo do meu futuro em meu sonho. Curioso isso...


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A dura vida de ser um mestre Pokémon Go morando no interior



Jogo Pokémon Go desde que ele chegou ao Brasil, no comecinho de agosto deste ano, e desde então sigo firme no jogo. No primeiro mês foi uma febre louca, até quem não conhecia Pokémon baixou o app para caçar os bichinhos. Depois a febre foi baixando, as regiões de Pokestops (áreas nas cidades onde o jogador pode ganhar pokebolas, ovos entre outros recursos) e Ginásios (áreas para batalhas) foram esvaziando e só os fortes ficaram. De outubro para cá, eles começaram a fazer eventos especiais para recuperar jogadores e sempre com algum bônus.

Eu faço parte desse grupo que não parou e sigo jogando diariamente, andando pelas ruas para chocar ovos, capturando pokémon selvagens, rodando pokestops, evoluindo bichinhos e batalhando nos ginásios. Também acompanho páginas especializadas e canais no youtube sobre o jogo para me manter informado e aprender coisas novas.

E tem um bom tempo que sinto vontade de escrever sobre minha experiência de ser um mestre Pokémon, na verdade a sofrência que é ser um mestre Pokémon morando em uma cidade do interior. O lugar onde você mora interfere profundamente a experiência do jogo, se você mora em grandes capitais ou cidades populosas é uma maravilha, vários pokestops e ginásios e muitos spaws de pokémon, mas se mora no interior, em cidades pequenas, você tem que ser guerreiro, não é fácil.



Elenco aqui as 5 maiores dificuldades que eu vivencio na minha jornada Pokémon:

1- Problema de Falta

O maior problema em morar em cidade pequena é o de falta! Falta tudo: falta pokestop, falta ginásio, falta pokémon, falta jogadores...

É a maior reclamação de jogadores do mundo todo. Como jogar um jogo que não te oferece todos os recurso necessários? Eu moro em duas cidades de Minas Gerais: Guaxupé e Passos, passo a semana em Guaxupé, onde trabalho, e fim de semana, feriados e férias em Passos. Guaxupé pelo menos tem 6 pokéstops e 2 ginásios, já dá para ganhar umas coisinhas e batalhar de vez em quando, mas Passos tem apenas 1 pokéstop!! Lá só dá para ser caçador de pokémon, nada mais!

Desde o mês passado tem bônus diário, o primeiro pokémon e a primeira pokéstop que você passa no dia você ganha mais bônus e com 7 dias seguidos ganha mais ainda. Em Guaxupé eu consigo ganhar mais tranquilo, quando vou trabalhar passo na rua de baixo do meu emprego e faço minha coleta diária, mas em Passos eu preciso sair do meu bairro e ir até o centro pra conseguir a meta diária. As únicas coisas positivas é que eu faço minha caminhada diária e dá para chocar uns ovos, mas é frustrante quando você vai em uma cidade grande e vê a diferença que é.

Esse semestre estive em São Paulo e Curitiba e joguei por lá, com pokéstops uma atrás da outra. Uma caminha de uma hora te garante o reabastecimento de pokébolas, não precisa nem gastar dinheiro com isso, sem contar a enorme quantidade de pokémon que encontra no caminho.

Tanto em Guaxupé quanto Passos existem pontos no mapa que aparecem mais pokémon (pontos de spaw, pontos no mapa onde periodicamente aparece um bichinho), mas existem muitos locais que aparecem pouquíssimos. Única coisa que não posso reclamar do bairro que moro em Passos é que lá aparece muito pokémon, mais até que onde moro em Guaxupé.

E não é só em cidade pequena que falta muita coisa, bairros afastados e mais pobres de grandes cidades também tem poucos pokestops e pokémon. Todo mundo reclama, a Niantic (desenvolvedora do jogo) faz promessas de melhorar, mas até agora nada de pokéstops novas, a gente do interior continua vendo uma mapa desértico no nosso jogo.

E nem posso reclamar muito porque por mais que Guaxupé e Passos tenham poucos pokéstops ainda são melhores que muitas cidades que não possuem nada e no máximo spawnan Zubats e Pidgeys (os mais comuns de aparecer).



2 - GPS Bugado e internet ruim

Pokémon Go depende de duas coisas: GPS e Internet, sem isso você não joga. Daí já imaginem o drama de jogar em cidade pequena, onde o sinal de GPS é sempre ruim e internet pior ainda.

Várias vezes estou jogando e o GPS fica me mostrando em outro lugar, eu preciso ficar andando feito besta para ele reconhecer onde estou. Pra dar mais raiva ele buga quase sempre quando estou me aproximando da Pokéstop. 

Outra coisa é o meu personagem no jogo (que se movimenta ou para acompanhando meu movimento) parar de tudo e mesmo eu andando ele não sai do lugar e fica lá parecendo estátua. Aí só reiniciando o jogo, algo que dá até vontade de chorar porque nunca sei se a internet está boa ou não. Quando está, o jogo reinicia rápido mas quando não está posso até desistir que não entra de jeito nenhum. E olha que tenho a operadora de melhor sinal da região e um plano bom e um segundo chip de outra operadora. O que costumo fazer é conectar em casa pelo wi-fi e depois sair para rua com 3G. Normalmente dá certo, mas várias vezes dá os problemas que relatei acima, o que faz a gente passar muita raiva.

Quando joguei em Curitiba foi lindo, internet funcionava (nem sempre, 3G no país todo é uma tristeza, mas ainda foi melhor que aqui em MG), GPS bugou pouquíssimas vezes, meu personagem andava direitinho pelo mapa. Um sonho!



3 - Forever Alone

Se nas cidades tops para jogar muita gente também desistiu, imaginem em cidades como as que vivo? Não tenho nenhum amigo que continue jogando, jogo sozinho. O problema é que esse é um jogo para se jogar de forma coletiva, como batalhar e conquistar ginásios sozinho? Até dá, porém você põe um pokémon no ginásio, coletá sua moeda e logo alguém vem e te derruba.

São tão poucos jogadores agora que eu até reconheço pelos nomes deles nos ginásios, sempre os mesmos que dominam, porém não os conheço pessoalmente, não há como comunicar com eles. Quando o jogo saiu criaram uma página no Face mas em 15 dias ninguém mais participava.

Minha jornada Pokémon é solitária, infelizmente.



4 - Ecossistema

Existe uma escala de raridade para aparecer um pokémon em uma região, alguns são muito comuns e outros muito raros, aparecendo poucas vezes. Em cidades grandes, pelos canais que acompanho, em quatro meses foram suficientes para a galera completar a pokedex (lista de pokémon no jogo, parece álbum de figurinha, cada vez que você captura um novo é marcado na pokedex e mostra informações dele, se você não tem aparece apenas o número e o espaço vazio). Eu até agora consegui 106 dos 151 disponíveis (existem 5 que ainda não foram lançados e 4 regionais que só dá para serem capturados em outros países, esses não conta para gente ainda no Brasil) e ontem já lançaram novos pokémon, os Baby, ou seja, tenho mais pokémon para encontrar. 

Em outubro, houve evento de Halloween e 8 Pokémon passaram a aparecer em todos os lugares, praticamente só eles apareciam, todos os outros passaram a aparecer pouco. O que me revoltou é que mesmo nesse evento houve diferença entre quem mora em grandes cidades e cidades pequenas, nas grandes todos os 8 apareciam, nas menores não. Na minha região dois não apareceram de jeito nenhum, nem vi nas proximidades e olha que andei muito para aproveitar o evento. Mês passado lançaram um pokémon que se transforma em outros, o Ditto, ele aparece disfarçado, só depois de capturar é que você descobre que pegou ele. No primeiro dia que ele foi lançado o povo das cidades grandes acharam fácil, nos dias seguintes acharam muitos outros. Eu até hoje não peguei nenhum, tô tentando achar ainda.

Quando você está em uma área boa para jogar, com muitos pokestops e spaws de pokémon a probabilidade de achar pokémon raros é muito maior que morando nos locais escassos de recursos. Existem pokémon que nem são tão raros e eu nunca vi por perto, aparece muito mais pokémon comuns por aqui e outros demoram tanto para aparecer de novo que você leva uma eternidade para conseguir candies para os evoluir. Aliás, minha sorte são os ovos e a possibilidade de ganhar candies caminhando com o pokémon Buddy que eu consegui evoluir muitos dos meus pokémon que aparecem pouco na minha região, só assim para garantir as evoluções deles e marcar na pokédex.

Quando eu vejo a galera nos canais mostrando a quantidade de candies que tem de vários pokémon e muitos são centenas dá uma tristeza, juntar 100 candies de qualquer pokémon por aqui é uma sofrência sem fim. Só pensar, eles tem várias pokéstops para coletar pokébolas, nunca falta pokébolas para eles, podem capturar todos que aparecem pra eles. Eu se consigo juntar umas 15 pokébolas num dia já comemoro e tenho que economizar por isso deixo de capturar muitos. Daí surge minha última reclamação que é o...



5 - Custo

O jogo é gratuito mas se você quiser pode comprar moedas para comprar certos recursos como pokébolas, incenso para atrair pokémon, espaço na mochila, entre outros. Quem mora nas cidades populosas não precisa se preocupar em comprar bolas, com uma hora você consegue coletar umas 60 pokébolas tranquilamente, dá pra capturar tranquilo os monstrinhos. Mas se você mora no interior é impossível jogar sem comprar pokébolas, ou você compra ou fica sem capturar, porque não dá pra ficar andando pelas pokéstops daqui de Guaxupé, que são longe umas das outras. O que eu faço é tentar ficar uma hora parado em uma e ir coletando de 5 em 5 minutos, mas no fim eu coleto poucas pokébolas e acabo gastando a maioria capturando os pokémon que aparecem pertos de mim. Em Passos, vou pra praça e fico lá até a bateria acabar, mas do mesmo jeito acabo gastando tudo que ganho com os que aparecem lá.

Quem mora nas cidades boas não gasta com pokébola e podem comprar moedas e investir em coisas melhores como chocadeiras, espaço, lure e incenso, o que melhora ainda mais o desempenho deles no jogo. Quem mora em cidade sem pokéstop é pior ainda, só comprando mesmo ou viajando, o que não dá pra fazer sempre, e mesmo comprando terão poucas opções de captura e mais os comuns mesmo, dificultando assim subir de nível no jogo.



Esse foi meu desabafo sobre a sofrência de ser um mestre Pokémon do interior. Está certo que na origem do Pokémon está a ideia do jovem que deixa sua cidade para ser um mestre pokémon e percorre várias cidades, mas isso é impossível para gente que é assalariado...rs

Sigo jogando, já tô no nível 24 (de 40) mesmo, vamos ver até onde vou e quanto tempo vou levar pra completar minha pokédex, se é que vou completar, agora com novos pokémon entrando no jogo a tendência é ficar ainda mais difícil. Mas eu realmente sou Mestre na área, trabalhei com games no meu mestrado e tenho planos para doutorado na área, quem sabe ainda viro Doutor Pokémon?? rsrs

PS: Pokémon não tem "s" no plural porque é a abreviação de Pocket Monsters, assim o plural de Pokémon é Pokémon mesmo.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dilema pessoal



Estou em um momento pessoal de tomar uma decisão muito importante que pode mudar muito minha vida e os rumos do meu destino.

Como é difícil tomar uma decisão desse tipo...

Pesar os prós, contras, possibilidades, limitações... são tantas variáveis na equação que fica difícil chegar à resposta final.

Tenho conversado com muita gente pra encontrar minha resposta.

Sou uma pessoa aberta ao novo, não tenho medo de largar tudo e entrar de cabeça em outra realidade, mas o que mais me pega agora é responder a seguinte pergunta:

- O que eu quero da minha vida? Quais meus planos, objetivos pessoais, sonhos? Das minhas opções, qual pode ajudar mais?

É difícil responder...

Só sei que seja qual for minha escolha, será a melhor.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Testando...

Acabei de instalar o app do blogger pra postar do celular e estou testando...

💀👽🐟🐠

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Que horas ela volta?




Domingo assisti "Que horas ela volta?" e é realmente um belíssimo filme!! Achei a temática e a abordagem original, uma verdadeira lufada de ar fresco na cinematografia nacional. Tinha tudo para ser piegas ou apenas uma crítica social como tantas outras em nosso cinema, mas não, oferece um mergulho sensível nos sentimentos e expõe algo que vai além da relação empregada/patroa, nos faz refletir sobre as relações de poder que estabelecemos no cotidiano e que aceitamos sem olhar criticamente para o que ocorre de fato.

E me emocionei mais ainda por que tocou fundo em lembranças minhas, da minha infância, época em que minha mãe era empregada doméstica e eu era o filho da empregada e não entendia por que em dia de festa infantil eu não podia ficar para a festa, passava o dia brincando com as crianças enquanto os adultos preparavam a festa, chegavam os doces, os salgados, bexigas eram enchidas... e dava o fim da tarde eu tinha que ir embora e não poderia voltar (minha mãe mentia dizendo que me levaria para casa para me arrumar e depois voltar, mas nunca voltava).

Eu tentava me enturmar com o filho da patroa, nossa diferença de idade era pequena e eu ficava deslumbrado com a quantidade enorme de brinquedos que ele tinha e com um porão que havia na casa onde ele e seus amigos montaram um clubinho. Eu pedia para brincar com eles mas eles não deixavam, me passavam várias tarefas para fazer dizendo que se eu fizesse eles deixavam eu brincar também, fazia tudo e nunca cumpriam a promessa, o máximo que consegui foi botar os pés dentro do porão e sair logo em seguida. Passava mais tempo brincando sozinho ou preferia ficar em casa mesmo, também sozinho, do que ficar passando por aquilo. Era inútil reclamar para minha mãe, eu tinha que entender que não era uma criança como eles.

Nem vou falar das coisas que minha mãe passava, algumas só fiquei sabendo muitos anos depois por amigos da família. Um exemplo foi certa vez que minha mãe aproveitou o horário de almoço para correr no supermercado e fazer compras. Ela deixou suas sacolas no quartinho dela e quando deu a hora de ir embora a patroa a chamou na frente de outras funcionárias dela e disse que andava sendo roubada por elas e achava que minha mãe poderia estar roubando coisas também. Ela fez minha mãe esvaziar todas as sacolas e mostrar todos os produtos. Como minha mãe não roubou nada, ela a dispensou e depois disse que fazia isso para suas funcionárias não serem insolentes e aprenderem a respeitá-la.

Havia uma vizinha que tinha um filho da minha idade e muitas vezes para eu não ficar sozinho minha mãe deixava que eu fosse brincar com ele. Nós tínhamos cerca de 5 anos, ele era um menino muito mimado e que tinha muitos brinquedos. Eu ficava fascinado. Era um menino muito atentado, uma vez fez eu ir com ele na loja da família que ficava perto e pegou dois jogos e deu um para mim. Mais tarde a mãe ao ver o que tinha acontecido deu o maior esporro nele e eu fiquei apavorado e me sentindo culpado. Ela viu que eu não tinha culpa, me acalmou e me deu o jogo de presente, mas fez o filho devolver o dele. Certa vez fomos a um rancho, minha mãe foi para faxinar e eu fiquei com o menino e a mãe. Ela nos ensinou a pescar e começamos a pescaria, eu fui pegando um atrás do outro e o filho dela nada, ele era agressivo com a vara e espantava os peixes. Por fim, eu pesquei nove peixes e ele um, que tinha voado e caído numa piscina velha e só encontramos horas depois. Ao fim do dia, contei para minha mãe todo feliz do meu sucesso com os peixes e disse que era para nosso jantar. Minha mãe disse que eu não ia levar os peixes, que não eram nossos. Eu comecei a chorar e a dizer que eu que tinha pescado, a mãe do garoto disse que eu poderia levar, mas minha mãe negou e foi firme, me disse em segredo que só diziam aquilo por educação. Fui embora chorando e sem entender por que tinha que ser assim.

E essa foi uma das coisas mais duras a se entender, por que eu não poderia aceitar algo que me ofereciam, que só faziam por educação e quando eu estava com a minha família, entre os meus, eu deveria sempre aceitar, mesmo que não quisesse, para não fazer desfeita. As regras de boas condutas eram (e confesso que ainda são) muito estranhas para minha cabeça...

É engraçado ver comentários negativos sobre o filme da Muylaert, que é um exagero, que não é assim, que quer demonizar as patroas, que é uma crítica social chata... Curiosamente, quem diz isso sempre foi filho de patroa e normalmente filhos de patroa não conseguem ver muito além dos seus próprios umbigos. O filme não é somente sobre um problema social brasileiro, ele vai muito além. Se por um lado me despertou essas lembranças e essa conexão por eu já ter vivido algo semelhante, por outro me fez questionar como eu me relaciono com os outros, quais os valores que eu cultivo no meu dia-a-dia. É chocante ver um homem sentado pedindo para outro fazer tudo por ele, até abrir uma lata de refrigerante, mas quantas vezes eu mesmo não arredei minha bunda do sofá e transferi para outros funções que eram minha obrigação de realizar? Quantas louças deixo sujas e que outros lavam por mim e nem mesmo um obrigado eu dou? 

Comecei recentemente a estudar na Unicamp, em Campinas, e achei assustador o abismo que existe entre os funcionários da limpeza e os alunos. São duas realidades que não se cruzam, espíritos desencarnados, uma verdadeira Silent Hill. Quando eu cumprimento um deles os olhos se arregalam em espanto até me responder, dá para ver pela expressão que está pensando: "Como assim ele está falando comigo??". E é assim na Unicamp, era assim na UFSCar, é assim em Passos, em Guaxupé, em todos os lugares onde já estive. Por isso acho louvável uma produção como a de "Que horas ela volta?", afinal o buraco é mais embaixo e o problema não é apenas no ambiente doméstico, nossa sociedade, nossa democracia, é formada por pessoas que desde que se entendem por gente devem entender "qual o seu lugar" e a maioria deve abaixar a cabeça enquanto a minoria desfila em seus trajes de soberba.


sábado, 16 de maio de 2015

O estojo



Certa vez, quando eu era aluno de Perseverança (para quem não é católico e desconhece, perseverança é a continuação da catequese após a primeira comunhão e vai até o jovem ter idade de cursar a crisma), ganhei um estojão de lápis de cor, canetinhas, tinta e outras coisas de desenho, aqueles estojos grandes do Paraguai que foram muito populares na década de 90. Ter um daqueles era um sonho, porém não tinha condições financeiras de ter um. Quando ganhei senti uma felicidade imensa e aproveitei bastante. Era um sonho, apesar da qualidade dos lápis serem sofríveis. O pastel parecia um borrão e eu quase quebrava meu dedo mindinho tentando esfumar o desenho. Mas e o orgulho de poder ter um e desfilar com ele por aí? Ostentação total!! A professora de catequese sempre levava algum brinde e sorteava entre a gente, e eu ganhei esse estojo num desses sorteios. Era divertido, ela anotava um número e quem acertasse ganhava o brinde. Senti-me a criança mais sortuda do mundo aquele dia!!
Anos se passaram e um dia reencontrei minha professora em um elevador. Eu não a reconheci, estava muito diferente. Ela disse: "Você não se lembra de mim, né? Eu não esqueci você" Nessa hora lembrei quem era ela e ela me fez uma revelação: "Lembra de quando você ganhou um estojo em um sorteio? Preciso te contar algo, eu roubei. Comprei aquele estojo para te dar de presente porque senti necessidade de te estimular de alguma forma. Vi em você uma vocação que precisava crescer e que precisava de uma oportunidade e espaço para isso. O estojo era o que eu poderia lhe oferecer. Mas eu não poderia te dar do nada um presente assim, as outras crianças ficariam tristes e eu não poderia dar para todos. Então fiz o sorteio sem anotar o número, morrendo de medo de alguém perceber esse detalhe. Não importava o número que você escolhesse, você ganharia. Havia o risco de alguém perceber e eu ter que fazer da forma correta. Mas passou, você ganhou e todos compartilharam de sua alegria. Na verdade se você recordar, todo mundo ganhou algo ao longo do ano" Ela piscou para mim, nos despedimos e até hoje não a vi mais... 
Não esqueço disso e ainda tenho o estojo guardado. Ele foi ressignificado em minha vida daquele dia em diante...
Esse fato me marcou profundamente. Despertou, e desperta ainda, muita reflexão...
O que tenho a dizer e passarei a minha vida toda repetindo, é:
"Obrigado, professora!"

terça-feira, 5 de maio de 2015

Desabafo...


Esse ano tem sido amargo, infelizmente muita coisa que planejei não está dando certo.

Ontem, pela quarta vez, tive uma porta fechada na minha cara. Para os meus "pares", meu trabalho acadêmico não tem muito valor, pelo visto. Pra ser sincero não esperava ser diferente, mas que amarga a boca, amarga.

A escolha é minha. Não aceito fazer parte de panelinhas, não tenho a menor vocação para fazer a dança da academia e nem paciência para puxar saco de ninguém. Não vou seguir "o caminho natural", sigo o meu caminho que foi o que pude seguir. Não vou deixar minha vida para fazer sacrifícios e me humilhar pra quem não está nem aí para comigo. Não!

Pode ser piegas, e é, mas escolhi o caminho do coração, agarro-me às oportunidades que aparecem e que despertam em mim bons sentimentos. Procuro ir atrás do que me faz feliz e me leva a aprender coisas que considero interessantes e que me tornam uma pessoa e profissional melhor.

É um desabafo. Apesar de tudo, não perco a esperança, continuo a caminhar de cabeça erguida e sorriso no rosto. Às vezes choro um pouquinho quando estou no meu mundo particular, mas enxugo as lágrimas e ponho a cara no sol.

Tudo é aprendizado. Os chacoalhões fazem a gente acordar e dar um novo gás.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Causos da vida

A senhorinha foi ao postinho de saúde fazer uma consulta e o seu exame ginecológico anual.

A médica fez os procedimentos e colheu o material. Entregou para a senhorinha o frasco com o líquido colhido e passou as receitas e os procedimentos.

A senhorinha ficou intrigada com o potinho e perguntou:

- ...e dotôra, de que hora a que hora que eu devo tomar isso daqui??

- Minha nossinhora, a senhora não vai tomar isso não!!

(Causo verídico)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Fim do Mundo do Sítio




Ontem descobri algo que me chateou muito, descobri que o Mundo do Sítio, portal transmídia com jogos e atividades para crianças inspirado na obra de Monteiro Lobato, foi encerrado no final de fevereiro.

Para quem não sabe, o Mundo do Sítio foi meu objeto de estudo no mestrado e passei os últimos anos o analisando e estudando, o que resultou na defesa da minha dissertação em agosto do ano passado. Criei um carinho muito grande pelo projeto e me senti realizado de poder contribuir para o estudo da narrativa transmídia, esse campo do nascer que é praticamente um bebê de tão recente e que ainda possui poucos pesquisadores trabalhando.

O Mundo do Sítio foi um projeto inovador, rico, educativo e muito divertido. As crianças tinham a oportunidade de passear pelo mundo mágico do Sítio do Picapau Amarelo e conhecer mais sobre a obra de Monteiro Lobato. 

Infelizmente, um projeto transmídia é sempre caro, envolve diversos profissionais e é difícil de manter. Ano passado eles tiveram um baque de não poder mais contar com apoios patrocinados e acho também que tiveram corte da verba federal que recebiam de ações educacionais que promoviam para o ministério da saúde (mais uma vítima dessa economia capenga nossa). Só com as assinaturas eles provavelmente não conseguiram ter lucro e fechar as contas. Uma pena!

Perdem as crianças brasileiras que tinham uma opção nacional muito rica e educativa de divertimento, perdem os pais que podiam participar junto com os filhos e os estimular para a leitura, perde a transmídia, que mais uma vez vê um projeto naufragar (se não é fácil manter um nos Estados Unidos, imagina por aqui...).

Eu estava refletindo desde o ano passado em mudar meu foco de pesquisa para o doutorado e me sentia um pouco triste de ao fazer isso me afastar do Sítio e da transmídia. Agora, já tenho certeza, vou seguir para meu outro projeto, sem Lobato não veria graça em continuar o trabalho.

Quando eu inscrevi meu projeto de mestrado, o projeto do Mundo do Sítio estava apenas no papel, depois que entrei na pós o portal foi lançado e pude acompanhar tudo desde o início. Acompanhei as mudanças, registrei fatos, fiz levantamentos, analisei dados, escrevi artigos, apresentei trabalhos e, finalmente, defendi minha dissertação que foi aprovada com muitos elogios. Agora, estou escrevendo alguns artigos pra apresentar meus resultados, vou reescrever algumas coisas, inserir a informação sobre o fim e, se conseguir, apresentar em um evento.

Fico feliz de ter contribuído lançando um olhar científico para esse projeto e também porque agora minha pesquisa se tornou um documento histórico que apresenta esse projeto e onde ele se insere no universo de Monteiro Lobato.

E vida que segue... O Mundo do Sítio acabou, assim como os seriados, jogos e outros produtos, mas os livros ficam e enquanto houver uma criança se divertindo junto com Emília e a turma toda do Sítio por meio das palavras mágicas dos livros, Lobato permanecerá vivo e influenciando novas gerações. E que venham novos projetos, nossas crianças merecem!!!


PS: Clique aqui para ler minha dissertação.