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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Evangelhos Apócrifos – Evangelho de Tomé

São Tomé

O evangelho de Tomé foi descoberto em 1945, juntamente com uma série de outros escritos gnósticos em língua copta. É uma coleção de 114 ditos ou logia de Jesus. Diferentemente dos 4 evangelhos oficiais, o Evangelho de Tomé não é uma narrativa sobre a vida de Cristo, mas sim uma reunião momentos, frases e parábolas que Cristo teria dito aos seus apóstolos. Muitos dos fatos narrados estão presentes nos evangelhos que conhecemos.

A fonte principal para conhecer esse evangelho é “O evangelho de Tomé, de Jean-Yves Leloup, editora Vozes. É dele que retirei alguns trechos do evangelho e algum dos comentários. Acredito que lendo trechos desse evangelho é possível compreender um pouco como ele é e a profundidade de suas palavras. Quem se interessar poderá pegar o livro e conhecer todos os 114 logias.

3. Disse Jesus: Se vossos guias vos afirmarem eis que o reino está no Céu, então, as aves estarão mais perto do Céu do que vós; se vos disserem: eis que ele está no mar, então, os peixes já o conhecem… Pelo Contrário, o Reino está dentro de vós e, também, fora de vós. Quando vos conhecerdes a vós mesmos, então sereis conhecidos e sabereis que sois os filhos do Pai, o Vivente; mas se não vos conhecerdes, então estareis na ilusão, e sereis ilusão.

O clima dualista das oposições, conflitos, exclusões… São conhecidas, por exemplo, as dificuldades que podem ser criadas por uma frase como “Fora da Igreja, não há salvação”; existem aqueles que estão fora e aqueles que estão dentro, e quando o termo “Igreja” é considerado no sentido institucional, faz com que muitas pessoas fiquem “de fora”, sejam inaptas à salvação… Santo Agostinho pressentia os limites dessa linguagem quando afirmou: “Existem muitas pessoas que, dizendo estar na Igreja, estão, na realidade, fora porque não praticam o amor e a vida do Cristo, enquanto muitas pessoas que são consideradas “fora” estão, na realidade, no coração da Igreja porque praticam o amor e a vida do Cristo” (LELOUP, 2001, p. 51-52)

18. Os discípulos perguntaram a Jesus: Diz-nos qual será o nosso fim? Jesus respondeu: O que conheceis em relação ao princípio para que estejais à procura do fim? Com efeito, onde se encontra o princípio, aí estará também o fim. Feliz aquele que permanecer no princípio; há de conhecer o fim e não provará a morte.

39. Disse Jesus: Os fariseus e os escribas receberam as chaves do conhecimento e as esconderam. Além de não entrarem, impedem a entrada daqueles que desejam entrar. Quanto a vós, permaneceis atentos como a serpente e simples como a pomba.

67. Disse Jesus: Aquele que conhece Tudo, mas não se conhece, está privado de tudo.

112. Disse Jesus: Ai da carne que depende da alma. Ai da alma que depende da carne.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Festa de Casamento

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Engraçado como hoje em dia está acabando a tradição das festas de casamentos. Muitos casam e resolvem não fazer festa alguma, seja por falta de dinheiro ou porque desejam investir em outra coisa, como uma viagem ou algo para a casa, com a desculpa de que a festa é só para encher a barriga de um povo faminto e que vai reclamar de tudo depois.

Mas o que quase ninguém mais sabe ou lembra é o porque que existem essas festas e toda a tradição envolvida.

Vou usar como exemplo a história dos casamentos no Brasil, porque festas de casamento são uma tradição bem antiga na história do homem e nem daria para contar tudo aqui.

No inicio da formação de pequenas vilas e cidades no Brasil, entre os séculos 16 e 17, a informação viajava muito devagar, mais precisamente nos lombos de burros e cavalos. Não haviam estradas, haviam apenas caminhos abertos por mateiros e que permitiam as viagens. As vilas foram sendo abertas ao longo desses caminhos, próximos a rios e lugares próprios para cultivo de gêneros alimentícios ou criação de animais. Elas se estendiam entre o nordeste e sudeste brasileiro.

Estou falando isso porque imaginem alguém que deixou a vida em algum lugar do nordeste e foi desbravar e montar uma vida nova pelas bandas do sudeste, como na vila onde hoje é a cidade de São Paulo. Pois bem, imaginem quando ocorria de alguém casar nessa família, como avisar os parentes?

Casamento era algo que devia ser planejado com pelo menos um ano de antecedência, porque só para avisar familiares e amigos eram uns três meses de viagem e depois para essas famílias se arrumarem e irem para o casamento eram outros três, sem contar a volta, mais uns três meses (claro, isso para aqueles que estavam mais longe, em um casamento todos deveriam ser lembrados).

Então as famílias dos noivos preparavam tudo para receber essas pessoas, deixavam quartos preparados, criavam vacas, porcos e galinhas para a alimentação e arrumavam todos os detalhes para o casamento e a festa.

Os convidados tinham que preparar a comida para a viagem e costumavam levar animais como porcos e gado para presentear os noivos. A viagem era muito dura, dependendo da época do ano sofriam com chuva, frio ou calor, sem contar acidentes no percurso. Nem todos podiam ir, crianças e doentes ficavam, bem como mulheres grávidas.

Por esse motivo a festa de casamento não era apenas uma festa qualquer, era o modo dos noivos e suas famílias agradecerem aos seus convidados por toda essa dificuldade que passariam para chegar até ali. E eram nessas festas que muitos acordos de trabalho, econômicos, políticos e familiares eram feitos. Sempre se aproveitavam essas festas para arrumarem maridos e esposas para os filhos solteiros e já assim deixar marcado os próximos casamentos.

Por isso a festa era um evento que durava no mínimo uma semana. Quem morava mais perto acabava voltando mais cedo, mas os que moravam muito longe ficavam muitos dias até voltar. E as famílias dos noivos também ajudavam com a alimentação da volta.

Com o passar dos anos, os meios de transporte e comunicação foram melhorando e as festas foram ficando menores e em menos dias. No século 20, até a década de 90 mais ou menos, o costume era o casamento durar um dia, com os seguintes eventos:

- Café da manhã com os noivos, cada um em sua casa;

- Almoço oferecido pelos noivos para os convidados, principalmente os que vieram de fora;

- O casamento propriamente dito;

- Festa de casamento.

Resumindo, a tradição diz que a festa de casamento é o presente que os noivos retribuem aos convidados pela presença, presentes, carinho, atenção e bençãos recebidas por essas pessoas que fazem parte da vida do casal e são importantes para eles, que são a família e os amigos.

Mas hoje em dia ninguém nem pensa mais nisso, a festa é a hora de encher a barriga e só. E os padrinhos então? Estes são escolhidos mais pela conta bancária do que propriamente possuir vínculos com os noivos.

Mas também, se os noivos tivessem “amigos” de verdade em suas vidas esse seria realmente um momento muito especial.

Como sabem, sou muito apegado a tradições e comigo é assim, se vai ter festa, então os noivos merecem um bom presente. Se não, um voto de felicidade já tá de bom tamanho. Se a pessoa trata de qualquer jeito um momento especial de sua vida, então o casamento certamente vai ser levado de qualquer jeito e isso pra mim é um absurdo, porque acaba levando a brigas, discussões, separação e dor. Ou mesmo que não haja separação, vira uma relação fria e sem vida.

Casamento é um momento de amor. Mesmo que os noivos estejam sem dinheiro sempre é possível fazer algo aconchegante e feliz, desde que com amigos e familiares que amem os noivos e desejam o melhor para eles.

Símbolos e tradições são importantes para nossas vidas. Sem eles tudo fica sem graça. Ao menos é o que penso.

PS: aprendi muito sobre a história dos casamentos no Brasil pela minissérie A casa das sete mulheres. Lá eles mostram um casamento e todas as dificuldades envolvidas naquela época. Vale a pena assistir se você não viu. Essa minissérie está disponível em DVD.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Visitação – Folia de Reis

visitaçao

Encontrei o caderno que era do meu pai com as letras das folias de Reis. Publico aqui a primeira parte da Visitação (momento em que a folia de Reis para em uma casa e pede licença ao morador para receber a bandeira que eles trazem em seu lar).

PS: obedeci a grafia da letra original.

Visitação

Odicasa oudicasa

nobre gente

são chegada dos 3 Reis

lá da parte do Oriente

1

Oudecasa os 3 Reis

que do Oriente envem

para visitar Jesus Menino

abre as portas de Belém

2

Oudecasa oudecasa

escutai o que eu direi

lá da parte do Oriente

são chegada dos 3 Reis

3

Neste lugar de Belém

os 3 Reis vem chegando

guiado por uma estrela

que nos venguiando

4

No portento se revela

vem no céu resprandecer

uma brilhante nova estrela

algum mistério deve traser

5

Estrela prometida

mil ano antes de brilha

foi dos magos hoje avistada

nos leva Jesus a dorá

6

Recebei esta bandeira

nossa luz e nossa guia

leva ela enbelém

vamos verer o rei micia

7

Da lecença pastorinha

da linça de chega

no prezepio de Belém

onde Deus micia está

8

Licença Simeão

linça vospedimo

para entra em sua lapa

para adorar a Deus menino

9

Sossegue meus 3 Reis

companhada a nova luz

que alumina os 3 Reis

protetor de Jesus

10

[…]

Passos, 23 de Setembro de 1984.

Onofre Francisco Torres

folia