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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Festa de Casamento

casa_das_sete_mulheres

Engraçado como hoje em dia está acabando a tradição das festas de casamentos. Muitos casam e resolvem não fazer festa alguma, seja por falta de dinheiro ou porque desejam investir em outra coisa, como uma viagem ou algo para a casa, com a desculpa de que a festa é só para encher a barriga de um povo faminto e que vai reclamar de tudo depois.

Mas o que quase ninguém mais sabe ou lembra é o porque que existem essas festas e toda a tradição envolvida.

Vou usar como exemplo a história dos casamentos no Brasil, porque festas de casamento são uma tradição bem antiga na história do homem e nem daria para contar tudo aqui.

No inicio da formação de pequenas vilas e cidades no Brasil, entre os séculos 16 e 17, a informação viajava muito devagar, mais precisamente nos lombos de burros e cavalos. Não haviam estradas, haviam apenas caminhos abertos por mateiros e que permitiam as viagens. As vilas foram sendo abertas ao longo desses caminhos, próximos a rios e lugares próprios para cultivo de gêneros alimentícios ou criação de animais. Elas se estendiam entre o nordeste e sudeste brasileiro.

Estou falando isso porque imaginem alguém que deixou a vida em algum lugar do nordeste e foi desbravar e montar uma vida nova pelas bandas do sudeste, como na vila onde hoje é a cidade de São Paulo. Pois bem, imaginem quando ocorria de alguém casar nessa família, como avisar os parentes?

Casamento era algo que devia ser planejado com pelo menos um ano de antecedência, porque só para avisar familiares e amigos eram uns três meses de viagem e depois para essas famílias se arrumarem e irem para o casamento eram outros três, sem contar a volta, mais uns três meses (claro, isso para aqueles que estavam mais longe, em um casamento todos deveriam ser lembrados).

Então as famílias dos noivos preparavam tudo para receber essas pessoas, deixavam quartos preparados, criavam vacas, porcos e galinhas para a alimentação e arrumavam todos os detalhes para o casamento e a festa.

Os convidados tinham que preparar a comida para a viagem e costumavam levar animais como porcos e gado para presentear os noivos. A viagem era muito dura, dependendo da época do ano sofriam com chuva, frio ou calor, sem contar acidentes no percurso. Nem todos podiam ir, crianças e doentes ficavam, bem como mulheres grávidas.

Por esse motivo a festa de casamento não era apenas uma festa qualquer, era o modo dos noivos e suas famílias agradecerem aos seus convidados por toda essa dificuldade que passariam para chegar até ali. E eram nessas festas que muitos acordos de trabalho, econômicos, políticos e familiares eram feitos. Sempre se aproveitavam essas festas para arrumarem maridos e esposas para os filhos solteiros e já assim deixar marcado os próximos casamentos.

Por isso a festa era um evento que durava no mínimo uma semana. Quem morava mais perto acabava voltando mais cedo, mas os que moravam muito longe ficavam muitos dias até voltar. E as famílias dos noivos também ajudavam com a alimentação da volta.

Com o passar dos anos, os meios de transporte e comunicação foram melhorando e as festas foram ficando menores e em menos dias. No século 20, até a década de 90 mais ou menos, o costume era o casamento durar um dia, com os seguintes eventos:

- Café da manhã com os noivos, cada um em sua casa;

- Almoço oferecido pelos noivos para os convidados, principalmente os que vieram de fora;

- O casamento propriamente dito;

- Festa de casamento.

Resumindo, a tradição diz que a festa de casamento é o presente que os noivos retribuem aos convidados pela presença, presentes, carinho, atenção e bençãos recebidas por essas pessoas que fazem parte da vida do casal e são importantes para eles, que são a família e os amigos.

Mas hoje em dia ninguém nem pensa mais nisso, a festa é a hora de encher a barriga e só. E os padrinhos então? Estes são escolhidos mais pela conta bancária do que propriamente possuir vínculos com os noivos.

Mas também, se os noivos tivessem “amigos” de verdade em suas vidas esse seria realmente um momento muito especial.

Como sabem, sou muito apegado a tradições e comigo é assim, se vai ter festa, então os noivos merecem um bom presente. Se não, um voto de felicidade já tá de bom tamanho. Se a pessoa trata de qualquer jeito um momento especial de sua vida, então o casamento certamente vai ser levado de qualquer jeito e isso pra mim é um absurdo, porque acaba levando a brigas, discussões, separação e dor. Ou mesmo que não haja separação, vira uma relação fria e sem vida.

Casamento é um momento de amor. Mesmo que os noivos estejam sem dinheiro sempre é possível fazer algo aconchegante e feliz, desde que com amigos e familiares que amem os noivos e desejam o melhor para eles.

Símbolos e tradições são importantes para nossas vidas. Sem eles tudo fica sem graça. Ao menos é o que penso.

PS: aprendi muito sobre a história dos casamentos no Brasil pela minissérie A casa das sete mulheres. Lá eles mostram um casamento e todas as dificuldades envolvidas naquela época. Vale a pena assistir se você não viu. Essa minissérie está disponível em DVD.

terça-feira, 2 de março de 2010

Procissão das Almas

Na última madrugada, conversei com dois amigos de São Paulo, o Marcus Veneroso e o Carlos Costa e Sousa, sobre uma antiga tradição e lenda que acontece durante a quaresma: a Procissão das Almas.

Essa procissão é muito conhecida aqui em Minas. Quando se é menino por aqui as mães costumam alertar aos filhos sobre essa procissão que segundo elas são um cortejo de almas que se levantam do cemitério e percorrem as ruas da cidade e que ninguém deve olhar para elas, senão morre. Além disso, as mães adoram contar as lendas das pessoas que viram a procissão e acabaram se dando mal.

Na verdade essa procissão é uma reunião de pessoas que se vestem de branco, com túnicas brancas e segurando uma vela acesa que percorrem as ruas durante a madrugada em dias da quaresma orando e cantando pelas almas do purgatório. Pela tradição ninguém deve abrir as portas e janelas de casa quando ouve que eles estão passando e muito menos olhar para eles. Se a pessoa está na procissão, não deve olhar para trás, porque as almas do purgatório estariam lá acompanhando o cortejo

Eu já ouvi essa procissão passar perto da minha casa uma vez que fiquei assistindo A noviça rebelde numa madrugada da Globo. Fui correndo abrir a janela para olhar mas minha mãe não deixou de maneira nenhuma. Isso já tem uns 7 anos, depois nunca mais ouvi. Minha mãe acha que a tradição está acabando e as pessoas não estão mais se importando com isso. Eu também acho que muitos dos senhores e senhoras que organizavam já faleceram.

O Marcus pesquisou e encontrou um site que fala da procissão das almas mais conhecida que existe em Minas, na cidade de Mariana. Clique aqui e conheça um pouco mais sobre ela.

Sei que em São Paulo antigamente também acontecia, principalmente em cidades pequenas, e que essa é uma tradição que veio de Portugal.

Fica o aviso, se você estiver pelas ruas de madrugada durante a quaresma e ouvir vozes de orações e súplicas, fuja! Não olhe para a procissão, pois mesmo que você não morra, alguma coisa ruim pode acontecer… E nunca abra a janela!!! Uma alma pode se desgarrar da procissão e passar a te perseguir…

O aviso foi dado! ;)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Visitação – Folia de Reis

visitaçao

Encontrei o caderno que era do meu pai com as letras das folias de Reis. Publico aqui a primeira parte da Visitação (momento em que a folia de Reis para em uma casa e pede licença ao morador para receber a bandeira que eles trazem em seu lar).

PS: obedeci a grafia da letra original.

Visitação

Odicasa oudicasa

nobre gente

são chegada dos 3 Reis

lá da parte do Oriente

1

Oudecasa os 3 Reis

que do Oriente envem

para visitar Jesus Menino

abre as portas de Belém

2

Oudecasa oudecasa

escutai o que eu direi

lá da parte do Oriente

são chegada dos 3 Reis

3

Neste lugar de Belém

os 3 Reis vem chegando

guiado por uma estrela

que nos venguiando

4

No portento se revela

vem no céu resprandecer

uma brilhante nova estrela

algum mistério deve traser

5

Estrela prometida

mil ano antes de brilha

foi dos magos hoje avistada

nos leva Jesus a dorá

6

Recebei esta bandeira

nossa luz e nossa guia

leva ela enbelém

vamos verer o rei micia

7

Da lecença pastorinha

da linça de chega

no prezepio de Belém

onde Deus micia está

8

Licença Simeão

linça vospedimo

para entra em sua lapa

para adorar a Deus menino

9

Sossegue meus 3 Reis

companhada a nova luz

que alumina os 3 Reis

protetor de Jesus

10

[…]

Passos, 23 de Setembro de 1984.

Onofre Francisco Torres

folia